ELA.
Ela repentinamente levanta e mexe no cabelo, senta de novo. Olha ao seu redor como se estivesse pensando em alguma coisa, pensa demais. Levanta. Anda pra lá e pra cá, como se algo estivesse errado, e tava. Sede, ela quer água. Mesmo séria, ela fala coisas que não entendo, mas me fazem rir.
Ela acredita que todas as cartas de amor são rídiculas, assim como palavras e pensamentos exdrúxulos, lembro-me que ela leu Álvaro de Campos. Seu raciocínio é incrível, quando ama, ama; quando adora, adora; quando gosta, gosta; quando odeia, não liga.
Ela faz cara de quem vai gritar, mas fala, e eu acho graça.
Ela quer falar alguma coisa que não tem coragem; não fala. Eu sei que o tempo passa e a cicatriz fecha, a dela não.
Ela pode até mentir, sempre é festa, sempre tem brigadeiro, tudo é passageiro, problemas se resolvem rápido. Ou, ficar calada, olhando pra parede branca, ouvir reclamações de um mundo injusto, problemas se resolvem a longo prazo, mas resolvem; é… ela não mentiu.
Ela não quer __ por perto, e não __ quer sozinha, ela esquece do ninguém, ela esquece do ficar. Não faz mal, ela sabe que pode ser em um dia, em uma noite, quem sabe, em um verão que não seja esse. E depois de tudo isso, ela olha pro céu, olha pra mim, mentaliza todas as coisas que gostaria que outros soubessem antes de esquecê-la, mexe no cabelo e pensa….q?
Autor objeto - Espelho
Enquanto isso, o tempo passa…


