ADVOGADA DO DIABO.
Estava esperando a resposta de algumas coisas pra enfim anunciar que estou formada. Depois de 5 anos sofridos e embriagados de luta acadêmica, recebo a notícia de que a formatura é certa em meio ao corredor escuro e mal varrido de uma repartição pública sem ter ao menos alguém pra abraçar, então o fiz em uma caixa de força na parede e ainda bati a cabeça.
Pô, sei lá o que será daqui pra frente, mas com certeza ainda reclamarei demais neste blog, seja do desemprego, do Exame da OAB, da falta de grana, ou então do novo corte de cabelo de algum artista, logo, poupa-los-ei neste post.
Sabem aquela história do anjinho e diabinho, que representam a consciência do indivíduo e ficam tagarelando sem parar na orelha quando uma decisão deve ser tomada? E que o caminho mais fácil, obviamente, será o do diabo, mas o anjo é um filha da puta e fica de mimimimi até o indivíduo lhe dar ouvidos?
Um, dois, som, som… tá me ouvindo, criatura? - Diabo
Então, meu anjo morreu há alguns anos.
Hoje eu tive a prova concreta disso ao levar minha avó ao médico.
Enquanto a vovó tomava um cafezão e chamava o filho do casal ao lado de "cara de turco", sendo que o pai era japonês, saí a procura de um enfermeiro não-gay para tomar uma picada fui buscar as 73 senhas necessárias pra ela ser atendida.
No primeiro setor eu peguei a senha 654 e no segundo a senha 666. Era um forte sinal. Olhei pra senha, para a espera de pessoas e foi involuntário minha mente pensar: Qual é o plano, Sr.Diabo?
O plano era o seguinte: as senhas eram iguais, tratava-se de uma manhã fria em São Paulo, e dava tempo de passar pelo consulta e levar a vó pra casa antes dela perguntar se eu estava namorando.
A senha 666 foi pro bolso e a 654 usada duas vezes. Depois dei passagem pra um carro que saía do posto de gasolina e me senti uma perdedora.
A certeza agora de que meu anjo morreu há 5 anos. Ou um pouco mais, pois acabei de lembrar que eu colei afudê no dia do vestibular.

