ANSIEDADE.
O problema de eu me achar auto suficiente demais sempre me adoece. E isso vem de tempos remotos. Já é difícil lidarmos com situações especiais da nossa vida de forma indiferente, e eu ainda tenho uma coisa muito forte que desencadeia com facilidade chamada: ANSIEDADE!
Em 1995, meus pais resolveram que eu deveria conhecer a Disney. Então, lá fui eu no auge dos 13 anos, sozinha, para a terra dos contos de fadas onde todo mundo é feliz, tem saúde e não passa fome.
Uma semana antes da viagem, sinto pontadas no coração. Alguns pensavam: Hmm, já vai tarde! Poxa, eu só tinha 13 anos, este pensamento hoje seria totalmente aceitável devido meu junkie way of life. Mas eu era saudável, fazia ballet e tal.
Ao consultar o cardiologista, ele diagnosticou que tudo não passava de ANSIEDADE. E estava certo, naquele momento a única coisa que eu tinha em mente, além da alegria incomensurável de viajar de avião, era: CARALHO, vou conhecer o Pateta!. E isso fazia meu coração palpitar horrores. De pronto ele receitou uns calmantes. Só lembro que durante a viagem dormi sete das oito horas de vôo até Miami e conheci o Pateta, o Jô Soares e o ator Marcelo Serrado, muito embora os dois últimos eu não fazia nenhuma questão.
foto real
Já adolescente, busquei meios alternativos de fugir da ansiedade, comecei a beber e fumar maconha entrei em uma escola profissional de volleyball que demandava muito tempo e força de vontade. Eu até tinha os dois, mas não tinha o sonho de ser atleta como todas as outras meninas, então desisti. Na verdade eu só ficava no banco de reserva, mas enfim…
Treinadora, deixa a Lilhá no banco senão vamos perder.
Quando eu menos esperava, já estava no terceiro colegial tendo que decidir meu futuro, ou pelo menos o sonho de um futuro. A ansiedade voltou, e com ela, os vestibulares do capeta. Todavia, eu já estava preparada. Eu me conhecia tanto que tive a pachorra de prestar vestibular desde o primeiro colegial. Afinal, sabia que uma hora seria pra valer e se eu prestasse todo ano, no terceiro não seria mais uma coisa nova. Por mais estúpido que esse pensamento parecesse, deu certo.
Tanto é que, entrei na faculdade de Direito, realmente disposta a aprender, estudar, pesquisar e mudar um pouco daquilo que a gente vê hoje em dia e descubro que nem precisava ter feito faculdade pra isso. Mas valeu a pena, valeu o aprendizado, as derrotas, os mais de mil reais despendidos em livros, as noites mal dormidas, as putarias generalizadas, as drogas, as bebidas, as fodas casuais, os professores odiados, as sonecas durante as aulas, as provas, os amigos que ficarão e os colegas que vão se evaporar.
Hoje é a festa de formatura e eu nem sei dançar valsa. *ensaia*
Eu menti no diálogo com a Gabi. Conclui que minha ansiedade não tem cura.
Só que hoje eu tenho um blog pra escrever um monte de lixo e o coração bate direitinho sem perder o compasso.
Tô vivo! *baba*

