SUFLÊ DE LETRAS.
Eu não sei cozinhar e a culpa é da minha avó.
Pois bem, explico.
Quando a gente não sabe fazer alguma coisa, sem generalizar, muitos acreditam que quando houver a necessidade de saber, aprende-se na marra.
Não é bem assim. Se você tivesse uma pessoa exclusiva para amarrar o seu tênis na infância e quando idoso essa pessoa não pudesse mais existir sob pena de sei lá… ter que declarar Imposto de Renda e tal, é claro que a saída seria comprar tênis sem cadarço. Pra que aprender a amarrar o tênis com 75 anos se nem abaixar você consegue mais?
E foi bem desse jeito na minha casa. Desde pequena minha avó sempre foi a pessoa responsável pela nossa alimentação. Tanto é que, antes de chegar a estas conclusões eu achava que esse lance de culinária era algo hereditário. Mas não é. Minha mãe só não cozinhava pior que eu porque ela que fazia meu lanche na bisnaguinha que eu devorava sem dó no recreio.
Sendo assim, e já que todo dia eu podia contar com o tempero da vovó, não tinha o porquê eu me meter a besta de criar um prato qualquer pra depois de pronto verificar que era preferível comer massinha de modelar a provar a "berinjela recheada de farofa com molho de uva e flambada no caramelo" que eu inventaria fazer.
Principalmente porque eu acreditava que bastava ler um livro de receitas da Ofélia, seguir passo a passo o que ele diz e saber diferenciar 1 c.c. de 1 C.S. para me qualificar como futura gourmet de um restaurante no Terraço Itália.
Hoje, com 12 25 anos, eu começo a me preocupar com isso. Na verdade eu só tô com fome mesmo, mas achei pertinente a história.


