In dubio pro post :: March :: 2007

CADÊ MINHA FERRARI?

Isto não é um post burguês.

Eu vivi 6 anos da minha vida encarando o trânsito dessa cidade. Sabe, eu poderia ter usado o transporte público e na maioria das vezes evitado isso, mas eu não quis. Eu quis inalar com gosto a fumaça do caminhão ao lado, sofrer de estresse pós congestionamento, ver o motoboy passar a exatamente 0,1 milímetro do meu retrovisor e ainda me xingar pois a pista é fina, o carro é largo e a taça do mundo é nossa.

Tem aquele cara que mora na Zona Leste e trabalha na Zona Sul, sendo que precisa acordar as 4 da manhã pra chegar as 8. Tem também o estudante da Zona Leste que estuda na USP e pega ônibus, metrô e ônibus até lá pra de repente descobrir que tá todo mundo fazendo greve. Ademais, tem também aquele que trabaha na Paulista e para tanto temos os famosos fretados com AC. Sim, da Zona Leste sai um monte desses. E tem o Eric que trabalha em Guarulhos e tem que pegar uma RODOVIA pra laborar.

Eu não, eu só precisava andar 12 km, DOZE! Era uma reta, vez ou outra tinha uma curva e um farol mais perigoso, mas em suma, era mais fácil que controlar um carrinho de autorama.

Ao entrar na Radial Leste, e quando muitas vezes eu não fechava o cruzamento, era lá mesmo que eu permanecia pelos seguintes 40 minutos, na entrada da bagaça, sem conseguir sequer sentir a brisa da primeira marcha. E se passavam mais 2 horas. O CD tocava duas vezes, o pulmão ficava mais preto, as costas doiam e os pés adormeciam. Devo agradecer aos famosos Mc Donald´s por todos os cantos desta cidade, sem eles eu já teria até me mijado durante esse tempo.

Mas por que esse trânsito, Figueiredo?

Não faço idéia, aliás, faço. Mas elas são tão óbvias que eu tenho vergonha de escrever. É como se eu dissesse em um dia chuvoso:

- Acho que hoje eu vou pegar trânsito.

É óbvio que vai, era melhor dizer:

- Acho que hoje vai cair um raio sobre mim e eu vou morrer.

Isso é menos vergonhoso. E engraçado, principalmente se acontecer.

Todavia, tem um fator do trânsito que parece que fica camuflado. Eu sempre reclamei deles. Ao avistar algo anormal na anormalidade das ruas, pensava: É ELE, PUTAQUEOPARIU.

Porra, e sempre era, nunca errei. O que presenciei ontem foi o estopim, se eu tivesse influência política direta nesta vida já teria acabado com todos eles. Quem nunca viu uma kombi na rua com 500 kg de almofadas puff´s em cima? Quem nunca viu um fusca sem assoalho? Quem nunca viu um chevette sem pastilha de freio, ou então uma variant marrom com o porta malas amarrado com barbante de varal?

Ontem: a roda do carro saiu e quicou diversas vezes na pista contrária. Do carro saiu faísca até conseguir finalmente frenar. No banco de trás do mesmo, um criança assustada. O trânsito parou. Agora eu sei como Hanna Barbera criou Os Flinstones.

MORTE AOS CARROS VELHOS!

Posted: March 27, 2007 Comments (0)