SAQUÊ NO AR.
Já comentei que tem um restaurante japonês embaixo do escritório, nóm? Então, tem um lindo e aconchegante restaurante nipônico.
Quando eu fico no escritório até mais tarde, umas 19 horas da noite, consigo decifrar tudo o que se passa na cozinha, inclusive, o cheiro de anchova domina a sala. Muitas vezes eu e a sócia temos que apertar o GLEID PLUS lá no banheiro e fechar todas as janelas. Só que nas noites frias, não existe cara de pau de descer, bater na porta da cozinha e pedir um pouco de missô, tipo mendiga mesmo.
Já almocei lá diversas vezes. Certa vez sentei as 13 horas na mesa, só levantei as 15 e fui pra casa dormir. Maldito rodízio.
Mas sempre com meu comportamento forense peculiar. Calça social, terninho, scarpin, um CÓDIGO CIVIL numa mão e uma pastinha na outra. Hoje eu estava lá esperando meu shimeji e finalizando a leitura do livro de Direitos Humanos Contemporâneos. Sabe, comé, tenho que ser levada a sério pelos meninos que trabalham no estabelecimento. Sei fazer uma cara de responsável que é um espetáculo.
Não me contive. Depois de rir litros com a sócia, ainda enfiei uma fatia de nabo no nariz.
Acabou o pouco que restava de reputação na vizinhança.

